quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mulher ganha menos ou gasta mais?

Em novembro de 2007.

É um tema recorrente na mídia a remuneração das mulheres no mercado de trabalho, sempre concluindo que elas ganham muito menos do que os homens, supostamente em igualdade de condições.

São citadas como autoras das pesquisas entidades altamente conceituadas, razão pela qual resta firmada a idéia de prevalência de um injustificável e revoltante preconceito.

No entanto, não me recordo de ter visto em qualquer das matérias já publicadas informações sobre a metodologia utilizada nos trabalhos, tais como: as fontes primárias dos dados; se leva em conta o salário inicial ou médio; se a remuneração apurada é básica ou inclui vantagens como horas-extras, diárias e gratificações em geral; e se é levada em conta licença remunerada pelo INSS.

Se tais afirmações fossem verdadeiras, seria então letra morta o princípio acolhido pela legislação brasileira segundo o qual “para trabalho igual, remuneração igual”.

Em minha longa vivência como dirigente de empresas, nunca tomei conhecimento de que nelas se praticasse este tipo de discriminação contra o sexo feminino. O mesmo dizem outras pessoas de minhas relações com as quais já troquei idéias sobre o assunto, algumas ligadas a grandes organizações empresariais. Mas é certo que, em termos de remuneração global e ao longo de sua vida profissional em uma mesma organização, hipótese esta necessária para uma confrontação, as mulheres acabem recebendo menos, salvo casos excepcionais.

De fato, desde que se trate de cargos que possam ser exercidos indistintamente por ambos os sexos, pode-se esperar um desempenho equivalente, mas só enquanto as mulheres não são levadas a assumir encargos que lhes são exclusivos, ditados por sua natureza biológica ou pelos costumes.

A partir do momento em que sua condição inicial é alterada pela expectativa ou pelo nascimento de filhos, isto passa a ter absoluta prioridade na vida da mulher, a começar pelo período de aleitamento, que a afasta do trabalho por meses.

Na seqüência, mesmo retornando ao trabalho fora de casa, sua atuação estará sempre dividida, comprometendo-lhe a disponibilidade para jornadas especiais; não mais se interessará por horas-extras, diárias de viagem fora da sede a serviço ou para treinamento e, até, por funções de chefia, que lhe asseguraria rendimentos adicionais ou lhe proporcionaria condições para progressão funcional.

É um comportamento típico das mães, ao tomarem conhecimento de qualquer indisposição de um filho pequeno, ir imediatamente em seu socorro, levá-lo ao médico, comprar e aplicar a medicação, providências estas raramente tomadas pelos pais. A mesma preocupação muitas vezes se estende a outras pessoas da família.

Que empresário, grande ou pequeno, teria a coragem de colocar em uma função importante de comando em sua empresa uma empregada que estivesse prestes a licenciar-se por um longo período ou, mesmo, apenas carregada de filhos pequenos?

Há ainda um fato muito conhecido na ciência da administração capaz de afetar negativamente a carreira de qualquer trabalhador: as boas oportunidades não surgem repetidamente para a mesma pessoa em determinada organização; ao contrário, quando convocações para os desafios são recusadas algumas vezes, seja qual for o motivo, a repercussão disto é desastrosa para o funcionário, que, se não for demitido, estagnará funcionalmente de maneira irremediável.

Com tais limitações, a conseqüência imediata e lógica será a redução dos rendimentos médios das mulheres, e é possível que seja este o significado preciso dos valores apurados nos levantamentos realizados pelas instituições mencionadas no início deste texto, sem que tal fato caracterize um preconceito gratuito contra elas.

É sintomático: de um modo geral, as mulheres que já conseguiram uma posição profissional de destaque, com méritos próprios, não possuíam filhos no momento de sua ascensão; ou se os possuía, já estavam eles independentes.

Quanto à segunda parte da proposta deste artigo, era minha intenção discorrer amplamente sobre os gastos das mulheres, bem como sobre o vício do consumismo em si; contudo, deixo de fazê-lo nesta oportunidade por falta de espaço.

Registro apenas que há um certo consenso entre os homens casados de que as mulheres, com sua bondade, gastam um pouco mais em proveito dos filhos, da casa e, até, dos maridos. Por isto, elas merecem ser perdoadas.

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