Em abril de 2008.
Há cerca de 40 anos, havia um eletricista de rede em uma das cidades desta região, empregado de antiga concessionária, cujo comportamento em serviço era absolutamente inusitado, causado por sua incomensurável preguiça. Eu o conheci.
Homem de idade já um pouco avançada para a profissão, à beira da aposentadoria, era profissional competente, assíduo e pontualíssimo; os demais funcionários da agência, todos bem mais jovens, o respeitavam e não interferiam com seus hábitos e suas rotinas..
Era o que possuía equipamentos e ferramentas de trabalho de uso exclusivo, dos quais cuidava com grande zelo, e que tinham lugar certo e apropriado para sua guarda. O destaque era sua escada de madeira de duas seções, reforçada, de 10 metros de comprimento total, pesando cerca de 30 quilos. É lógico que lá estavam também a vara de manobra, o cinto de segurança, os alicates, as chaves de fenda e o canivete, todos indispensáveis para um eletricista.
Chegava cedo para dar início a um novo dia improdutivo: apanhava seu equipamento de trabalho, escada às costas, e saía sem qualquer ordem de serviço a ser cumprida. Após caminhar duas quadras, arriava cuidadosamente a escada e entrava num bar de esquina, onde tomava um copo d’água e um gole de café; depois seguia seu caminho rumo à rodoviária para presenciar a movimentação dos ônibus e passageiros, bater um papo com os amigos e tomar outro cafezinho, enquanto sua escada descansava um pouco encostada em parede próxima.
E novamente partia, caminhava e parava em diferentes pontos da cidade, sempre carregando aquela escada, de norte a sul e de leste a oeste, sem ajuda de ninguém.
Como diria GILBERTO GIL, seus caminhos pela cidade ela mesmo traçava, com uma agenda livre de qualquer compromisso: nenhum consumidor para ligar ou cortar; nenhuma lâmpada ou isolador para trocar; nenhum cabo para emendar; nenhuma instalação para vistoriar.
Quem quer que fosse procurá-lo no escritório e estivesse disposto a encontrá-lo, em horário comercial, haveria de seguir um longo e improvisado percurso, findo o qual estaria extenuado. Mas as informações sobre ele seriam sempre mais ou menos as mesmas:
- Ele passou por aqui inda agora “com uma escada nas costas”.
- Ele já esteve aqui, mas foi embora “com uma escada nas costas”.
- Ele foi naquela direção, “com uma escada nas costas”.
Ao fim do dia, retornava à sua base extropiado, com seu expediente encerrado sem ter apertado sequer um parafuso. Recolocava meticulosamente seu equipamento no devido lugar e ia para casa satisfeito, convencido de que havia enganado a todos porque faturara mais um dia sem ter trabalhado.
GRANDE PEDRO!
Homem de idade já um pouco avançada para a profissão, à beira da aposentadoria, era profissional competente, assíduo e pontualíssimo; os demais funcionários da agência, todos bem mais jovens, o respeitavam e não interferiam com seus hábitos e suas rotinas..
Era o que possuía equipamentos e ferramentas de trabalho de uso exclusivo, dos quais cuidava com grande zelo, e que tinham lugar certo e apropriado para sua guarda. O destaque era sua escada de madeira de duas seções, reforçada, de 10 metros de comprimento total, pesando cerca de 30 quilos. É lógico que lá estavam também a vara de manobra, o cinto de segurança, os alicates, as chaves de fenda e o canivete, todos indispensáveis para um eletricista.
Chegava cedo para dar início a um novo dia improdutivo: apanhava seu equipamento de trabalho, escada às costas, e saía sem qualquer ordem de serviço a ser cumprida. Após caminhar duas quadras, arriava cuidadosamente a escada e entrava num bar de esquina, onde tomava um copo d’água e um gole de café; depois seguia seu caminho rumo à rodoviária para presenciar a movimentação dos ônibus e passageiros, bater um papo com os amigos e tomar outro cafezinho, enquanto sua escada descansava um pouco encostada em parede próxima.
E novamente partia, caminhava e parava em diferentes pontos da cidade, sempre carregando aquela escada, de norte a sul e de leste a oeste, sem ajuda de ninguém.
Como diria GILBERTO GIL, seus caminhos pela cidade ela mesmo traçava, com uma agenda livre de qualquer compromisso: nenhum consumidor para ligar ou cortar; nenhuma lâmpada ou isolador para trocar; nenhum cabo para emendar; nenhuma instalação para vistoriar.
Quem quer que fosse procurá-lo no escritório e estivesse disposto a encontrá-lo, em horário comercial, haveria de seguir um longo e improvisado percurso, findo o qual estaria extenuado. Mas as informações sobre ele seriam sempre mais ou menos as mesmas:
- Ele passou por aqui inda agora “com uma escada nas costas”.
- Ele já esteve aqui, mas foi embora “com uma escada nas costas”.
- Ele foi naquela direção, “com uma escada nas costas”.
Ao fim do dia, retornava à sua base extropiado, com seu expediente encerrado sem ter apertado sequer um parafuso. Recolocava meticulosamente seu equipamento no devido lugar e ia para casa satisfeito, convencido de que havia enganado a todos porque faturara mais um dia sem ter trabalhado.
GRANDE PEDRO!
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