Em outubro de 2008.
No último mês de setembro, o mundo entrou em pânico com uma desordem financeira de grande vulto capitaneada pelos Estados Unidos: dizem que estourou a “bolha” do crédito imobiliário. Segundo outros especialistas, muitas outras “bolhas” e “borbulhas” – digo eu- estariam por vir.
Tudo isto resulta do artificialismo dos mercados de capitais, dominado por especuladores e não por verdadeiros investidores. Houve uma completa distorção da excelente idéia que foi a criação das sociedades abertas por ações. Era comum, em épocas passadas, pequenos e grandes investidores adquirirem ações de empresas conceituadas como a LIGHT, tendo como único objetivo participar da distribuição dos dividendos no final do exercício. Valia então a credibilidade de tais organizações perante o público e a análise dos balanços daquelas ainda desconhecidas.
De acordo com o objetivo original de tais sociedades, a compra de ações deveria visar sempre a obtenção de lucro a longo prazo. De fato, não faz sentido algum a aquisição de um lote de ações hoje para vendê-las amanhã, como fazem habitualmente os especuladores. Por este motivo, uma aplicação no mercado de ações é considerada de altíssimo risco na atualidade, cujo resultado é destituído de qualquer lógica.
A tendência é que os pequenos investidores saiam perdendo neste jogo viciado por ser a parte mais fraca. Os especuladores, ao contrário, manipulam as bolsas com seus milhões, puxando os valores dos papéis para cima ou para baixo, conforme desejam vendê-los ou comprá-los; falta-lhes escrúpulos que os impeçam também de praticar espionagem industrial, fabricar boatos, obter e usar informações privilegiadas de interesse nos negócios, muitas vezes através de corrupção ou de violência. E atuam em toda parte e por todos os meios.
A economia mundial, em conseqüência, passou a ser expressa em função de uma riqueza virtual, ou seja, de papéis. Como entender que uma empresa possa ter tido um grande prejuízo de um dia para o outro simplesmente porque caiu o preço de suas ações, se ela nada perdeu em termos materiais: suas instalações continuam as mesmas e sua produção inalterada, assim como os custos e o faturamento. A riqueza virtual é aquela que não tem lastro suficiente, sendo muito superior à riqueza real existente.
É inacreditável que as autoridades constituídas, no âmbito nacional e internacional, nada tenham feito ainda para coibir tais práticas, o que, no caso do mercado acionário, poderia ser obtido apenas com um mecanismo que estabelecesse um prazo mínimo de carência para que as ações pudessem ser negociadas.
Um fato digno de registro é que, quando as ações sobem muito, proporcionando grandes lucros aos aplicadores, ninguém reclama da sorte; mas quando a coisa foge do controle dos especuladores, com os papéis em forte baixa, clamam eles por interferência do Estado com dinheiro público. Na verdade, a própria bolsa já possui mecanismo para contê-la, interrompendo o pregão. Conclui-se, por conseguinte, que essa gente pretende que os lucros devam ser privatizados e os prejuízos socializados, coisa muito conveniente a seus interesses inescrupulosos.
O certo é que as forças do mercado, sozinhas, não têm condições de resolver todos os problemas da economia, como reza a cartilha neoliberal, havendo necessidade de interferências eventuais do Estado para proteção dos mais fracos. O ensinamento da cartilha propõe a demolição dos serviços públicos, com o que fica facilitada a privatização das empresas estatais lucrativas.
Para debelar a atual crise, criaram os americanos um conjunto de normas para ajuda oficial a bancos e seguradoras, principalmente, no que estão sendo seguidos por vários países europeus e outros, inclusive o Brasil. São medidas realmente necessárias. Para nós, brasileiros, ele é muito importante para não prejudicar a marcha de desenvolvimento do País. De outro enfoque, ela representa um tranco na ideologia neoliberal porque provém dos centros que a disseminaram.
Contudo, os riscos atuais não se encontram só no mercado de ações; muitas aplicações, supostamente seguras, podem levar a grandes prejuízos. Ainda recentemente, vários fundos de pensão ligados a empresas estatais tiveram enormes perdas com a quebra do Banco Santos. A Fundação Real Grandeza, de FURNAS e ELETRONUCLEAR, perdeu cerca de R$200.000.000 (duzentos milhões de reais) em aplicação de renda fixa; ela foi em busca de melhor taxa de rendimento, com respaldo em parecer de consultores e agências internacionais de risco, que davam a instituição como boa. O Banco Central, a quem incumbe a fiscalização bancária, tampouco detectou aquela grave situação em tempo hábil. Ocorre que o Banco Santos também era cliente daquelas agências...
A propósito de crises financeiras mundiais, a provocada pela quebra da bolsa de Nova York em 1929, cujos efeitos são sentidos até hoje em muitos municípios fluminense então produtores de café, teve conseqüências devastadoras porque o governo americano só interveio bem mais tarde, quando FRANKLIN ROOSEVELT assumiu a presidência do País em 1932.
Tudo isto resulta do artificialismo dos mercados de capitais, dominado por especuladores e não por verdadeiros investidores. Houve uma completa distorção da excelente idéia que foi a criação das sociedades abertas por ações. Era comum, em épocas passadas, pequenos e grandes investidores adquirirem ações de empresas conceituadas como a LIGHT, tendo como único objetivo participar da distribuição dos dividendos no final do exercício. Valia então a credibilidade de tais organizações perante o público e a análise dos balanços daquelas ainda desconhecidas.
De acordo com o objetivo original de tais sociedades, a compra de ações deveria visar sempre a obtenção de lucro a longo prazo. De fato, não faz sentido algum a aquisição de um lote de ações hoje para vendê-las amanhã, como fazem habitualmente os especuladores. Por este motivo, uma aplicação no mercado de ações é considerada de altíssimo risco na atualidade, cujo resultado é destituído de qualquer lógica.
A tendência é que os pequenos investidores saiam perdendo neste jogo viciado por ser a parte mais fraca. Os especuladores, ao contrário, manipulam as bolsas com seus milhões, puxando os valores dos papéis para cima ou para baixo, conforme desejam vendê-los ou comprá-los; falta-lhes escrúpulos que os impeçam também de praticar espionagem industrial, fabricar boatos, obter e usar informações privilegiadas de interesse nos negócios, muitas vezes através de corrupção ou de violência. E atuam em toda parte e por todos os meios.
A economia mundial, em conseqüência, passou a ser expressa em função de uma riqueza virtual, ou seja, de papéis. Como entender que uma empresa possa ter tido um grande prejuízo de um dia para o outro simplesmente porque caiu o preço de suas ações, se ela nada perdeu em termos materiais: suas instalações continuam as mesmas e sua produção inalterada, assim como os custos e o faturamento. A riqueza virtual é aquela que não tem lastro suficiente, sendo muito superior à riqueza real existente.
É inacreditável que as autoridades constituídas, no âmbito nacional e internacional, nada tenham feito ainda para coibir tais práticas, o que, no caso do mercado acionário, poderia ser obtido apenas com um mecanismo que estabelecesse um prazo mínimo de carência para que as ações pudessem ser negociadas.
Um fato digno de registro é que, quando as ações sobem muito, proporcionando grandes lucros aos aplicadores, ninguém reclama da sorte; mas quando a coisa foge do controle dos especuladores, com os papéis em forte baixa, clamam eles por interferência do Estado com dinheiro público. Na verdade, a própria bolsa já possui mecanismo para contê-la, interrompendo o pregão. Conclui-se, por conseguinte, que essa gente pretende que os lucros devam ser privatizados e os prejuízos socializados, coisa muito conveniente a seus interesses inescrupulosos.
O certo é que as forças do mercado, sozinhas, não têm condições de resolver todos os problemas da economia, como reza a cartilha neoliberal, havendo necessidade de interferências eventuais do Estado para proteção dos mais fracos. O ensinamento da cartilha propõe a demolição dos serviços públicos, com o que fica facilitada a privatização das empresas estatais lucrativas.
Para debelar a atual crise, criaram os americanos um conjunto de normas para ajuda oficial a bancos e seguradoras, principalmente, no que estão sendo seguidos por vários países europeus e outros, inclusive o Brasil. São medidas realmente necessárias. Para nós, brasileiros, ele é muito importante para não prejudicar a marcha de desenvolvimento do País. De outro enfoque, ela representa um tranco na ideologia neoliberal porque provém dos centros que a disseminaram.
Contudo, os riscos atuais não se encontram só no mercado de ações; muitas aplicações, supostamente seguras, podem levar a grandes prejuízos. Ainda recentemente, vários fundos de pensão ligados a empresas estatais tiveram enormes perdas com a quebra do Banco Santos. A Fundação Real Grandeza, de FURNAS e ELETRONUCLEAR, perdeu cerca de R$200.000.000 (duzentos milhões de reais) em aplicação de renda fixa; ela foi em busca de melhor taxa de rendimento, com respaldo em parecer de consultores e agências internacionais de risco, que davam a instituição como boa. O Banco Central, a quem incumbe a fiscalização bancária, tampouco detectou aquela grave situação em tempo hábil. Ocorre que o Banco Santos também era cliente daquelas agências...
A propósito de crises financeiras mundiais, a provocada pela quebra da bolsa de Nova York em 1929, cujos efeitos são sentidos até hoje em muitos municípios fluminense então produtores de café, teve conseqüências devastadoras porque o governo americano só interveio bem mais tarde, quando FRANKLIN ROOSEVELT assumiu a presidência do País em 1932.
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