Peço licença à confreira JOSANE AUXILIADORA, brilhante titular da coluna especializada deste periódico, para abordar um tema relacionado com a Psicologia infantil.
As crianças, desde a mais tenra idade, comportam-se de maneira agressiva algumas vezes, dando vazão ao instinto animal que ainda possuem, como que defendendo sua posição ou território. Basta que se coloque duas ou mais delas sozinhas, quando apenas podem ficar sentadas ou de gatinhas, para que empurrões e tapas entre elas venham a acontecer. E, ao adquirirem dentes, passam a utilizá-los também contra seus coleguinhas. Dificilmente se encontra quem, entre os adultos, não tenha ainda levado um tapinha na cara ao aproximar-se inocentemente de um bebê, que não o conheça, para fazer-lhe um carinho.
De certo, trata-se de uma fase passageira que logo será ultrapassada à medida em que vai aumentando a compreensão da criança; e os tapas e as mordidas que tenha dado serão também esquecidos, até por suas vítimas.
Na pré-escola onde matriculei uma de minhas filhas, houve uma fase em que se tornaram muito frequentes tais ocorrências, acarretando uma enxurrada de reclamações dos pais, que somente tomavam conhecimento das marcas deixadas em seus pupilos. A zelosa diretora do estabelecimento providenciou um minucioso levantamento com a finalidade de identificar os aluninhos que mordiam. Não houve muita surpresa; na verdade, eram quase todos. Feito isto, convidou os senhores pais para uma reunião onde o assunto seria debatido.
O comparecimento foi extraordinário e, ao que me recordo, eu era o único pai em meio a dezenas de mães. A diretora procurou conduzir a reunião de modo a deixar claro que a escola não tinha culpa alguma. De fato, as crianças deveriam ser socializadas, sendo indispensável a convivência entre elas; assegurava que não permaneciam sem supervisão por um minuto sequer, mas que era impossível evitar os atritos, que aconteciam inesperadamente.
Sem que fosse dada qualquer oportunidade para contestações, um desafio foi proposto a todos do grupo, sugerindo-lhes que indagassem se seus filhos ou filhas mordiam, porque teriam uma resposta imediata e franca.
Passado o impacto da proposta, uma das mães deu início ao procedimento:
- Vanessa morde?
Respondeu-lhe a diretora, após consultar sua lista:
- Vanessa morde!
Outra mãe, já encorajada, indagou:
- Luis Cláudio morde?
Com base na mesma lista, disse-lhe a diretora:
- Sim, Luis Cláudio morde e com força!
Outra mais arriscou:
- Carol morde?
- Por enquanto ainda não vimos! Foi a resposta.
E assim prosseguiu o encontro em que, ao que suponho, todas as mães participaram, recebendo como respostas, na maioria das vezes:
- Sim, morde!
- Sim, morde muito!
- Sim, morde com força!
Eu, que nada havia reclamado e por uma questão de temperamento, permaneci calado em meu canto.
Na sequência, depois de uma pequena pausa, a diretora virou-se para mim e mandou:
- E você, paizão, não quer saber sobre sua filha?
Assim provocado, respondi:
- Pode ser!
Ao que ela concluiu:
- Sua filha morde e bate!
Terminados os trabalhos, beijinhos prá cá e pra lá, todas as mães saíram convencidas e conformadas.
É verdade! Criancinhas mordem, mas não deixam de ser encantadoras.
As crianças, desde a mais tenra idade, comportam-se de maneira agressiva algumas vezes, dando vazão ao instinto animal que ainda possuem, como que defendendo sua posição ou território. Basta que se coloque duas ou mais delas sozinhas, quando apenas podem ficar sentadas ou de gatinhas, para que empurrões e tapas entre elas venham a acontecer. E, ao adquirirem dentes, passam a utilizá-los também contra seus coleguinhas. Dificilmente se encontra quem, entre os adultos, não tenha ainda levado um tapinha na cara ao aproximar-se inocentemente de um bebê, que não o conheça, para fazer-lhe um carinho.
De certo, trata-se de uma fase passageira que logo será ultrapassada à medida em que vai aumentando a compreensão da criança; e os tapas e as mordidas que tenha dado serão também esquecidos, até por suas vítimas.
Na pré-escola onde matriculei uma de minhas filhas, houve uma fase em que se tornaram muito frequentes tais ocorrências, acarretando uma enxurrada de reclamações dos pais, que somente tomavam conhecimento das marcas deixadas em seus pupilos. A zelosa diretora do estabelecimento providenciou um minucioso levantamento com a finalidade de identificar os aluninhos que mordiam. Não houve muita surpresa; na verdade, eram quase todos. Feito isto, convidou os senhores pais para uma reunião onde o assunto seria debatido.
O comparecimento foi extraordinário e, ao que me recordo, eu era o único pai em meio a dezenas de mães. A diretora procurou conduzir a reunião de modo a deixar claro que a escola não tinha culpa alguma. De fato, as crianças deveriam ser socializadas, sendo indispensável a convivência entre elas; assegurava que não permaneciam sem supervisão por um minuto sequer, mas que era impossível evitar os atritos, que aconteciam inesperadamente.
Sem que fosse dada qualquer oportunidade para contestações, um desafio foi proposto a todos do grupo, sugerindo-lhes que indagassem se seus filhos ou filhas mordiam, porque teriam uma resposta imediata e franca.
Passado o impacto da proposta, uma das mães deu início ao procedimento:
- Vanessa morde?
Respondeu-lhe a diretora, após consultar sua lista:
- Vanessa morde!
Outra mãe, já encorajada, indagou:
- Luis Cláudio morde?
Com base na mesma lista, disse-lhe a diretora:
- Sim, Luis Cláudio morde e com força!
Outra mais arriscou:
- Carol morde?
- Por enquanto ainda não vimos! Foi a resposta.
E assim prosseguiu o encontro em que, ao que suponho, todas as mães participaram, recebendo como respostas, na maioria das vezes:
- Sim, morde!
- Sim, morde muito!
- Sim, morde com força!
Eu, que nada havia reclamado e por uma questão de temperamento, permaneci calado em meu canto.
Na sequência, depois de uma pequena pausa, a diretora virou-se para mim e mandou:
- E você, paizão, não quer saber sobre sua filha?
Assim provocado, respondi:
- Pode ser!
Ao que ela concluiu:
- Sua filha morde e bate!
Terminados os trabalhos, beijinhos prá cá e pra lá, todas as mães saíram convencidas e conformadas.
É verdade! Criancinhas mordem, mas não deixam de ser encantadoras.