Em julho de 2008.
Havia em Cambuci, em época já relativamente remota, um rapaz muito alegre e extrovertido, e também bastante inteligente e espirituoso, que, como acontecia com a maioria dos jovens de então, fora sorteado para prestar serviço militar no Rio, de onde poucos retornavam. É que, por aqui, eram mínimas as oportunidades de trabalho e progresso, optando eles por profissionalizarem-se e por lá permaneceram em busca de uma vida melhor.
Também nosso herói, a quem passo a denominar JOÃO, por lá ficou durante muitos anos após sua baixa, adotando a profissão de pedreiro e pintor de paredes.
Levado por seu temperamento expansivo, conviveu intensamente com habitantes daquela cidade, deles absorvendo a maneira bem carioca de ser, seja nos gestos ou no palavriado típico da malandragem.
Mais tarde voltou, tornando-se uma figura popularíssima em sua terra, onde podia ser visto ao anoitecer nas portas dos bares já de banho tomado e decentemente vestido, inclusive com seu indefectível chapéu de lebre, colocado com muito estilo.
Era sempre saudado pelos passantes, ao que sempre retribuía de forma efusiva e simpática, não faltando o uso de ditados da moda ou outros comentários divertidos. Era, de fato, um filósofo popular.
Mas o trabalho era ainda um dever para aquele operário, que o fazia contratar obras de construção e reforma de casas. Utilizava apenas um ajudante, que haveria de ser sempre muito forte e ágil, de modo a contrabalançar sua condição física, que já não era grande coisa.
Assim foi que contratou a execução de um serviço no bairro do Guarani, distante cerca de 1 km do centro comercial da cidade, e convidou o BETINHO para ajudá-lo na empreitada. Este era um mulato jovem e atleta aspirante a ser um grande jogador de futebol, para o que treinava e jogava em um dos clubes esportivos locais. Sendo trabalhador, preenchia completamente o perfil de ajudante desejado.
Corria o mês de janeiro; era pleno e escaldante verão. Por volta do meio-dia, após o almoço, estando o sol a pino, JOÃO fez uma avaliação para planejamento de seu trabalho, e comentou:
- Acho que vai dar para terminar o emboço desta parede ainda hoje!
E, imediatamente, deu a seguinte ordem:
-BETINHO, vá depressa apanhar mais um saco de cimento no ZÉ GREGÓRIO.
O ajudante, cheio de saúde e vontade, partiu correndo rua abaixo, chegando rapidamente à loja. Não era de cogitar-se o transporte por automóvel ou carroça, pois, além de dificilmente disponíveis, iriam onerar o orçamento da obra.
BETINHO colocou aquela carga de 50 kg na cabeça e partiu rua acima tão célere quanto possível. Mas estava muito difícil: a cada passo encurvava-se mais; e transpirava abundantemente.
Chegando finalmente ao destino, já extenuado, perguntou:
- Seu JOÃO, onde é que eu ponho o cimento?
Do alto da escada onde se encontrava, JOÃO colocou em sua fonte o dedo indicador e, teatralmente, disse:
- Isso é um caso a pensar!
Ofegante, passados alguns segundos, insistiu BETINHO:
- Seu JOÃO, onde é que eu ponho?
E teve a seguinte resposta:
- Eu ainda estou pensando...
Desesperado, BETINHO arriou o saco de cimento ali mesmo e de qualquer maneira, intimamente convencido de que acabara de cometer um gesto atrevido, e já preparado para levar uma bronca.
Mas enganara-se.
Ao ver resolvido aquele inesperado impasse, JOÃO exclamou:
-Ah! Então você descobriu sozinho!?
- Lugar de pesado é no chão, meu caro!
Também nosso herói, a quem passo a denominar JOÃO, por lá ficou durante muitos anos após sua baixa, adotando a profissão de pedreiro e pintor de paredes.
Levado por seu temperamento expansivo, conviveu intensamente com habitantes daquela cidade, deles absorvendo a maneira bem carioca de ser, seja nos gestos ou no palavriado típico da malandragem.
Mais tarde voltou, tornando-se uma figura popularíssima em sua terra, onde podia ser visto ao anoitecer nas portas dos bares já de banho tomado e decentemente vestido, inclusive com seu indefectível chapéu de lebre, colocado com muito estilo.
Era sempre saudado pelos passantes, ao que sempre retribuía de forma efusiva e simpática, não faltando o uso de ditados da moda ou outros comentários divertidos. Era, de fato, um filósofo popular.
Mas o trabalho era ainda um dever para aquele operário, que o fazia contratar obras de construção e reforma de casas. Utilizava apenas um ajudante, que haveria de ser sempre muito forte e ágil, de modo a contrabalançar sua condição física, que já não era grande coisa.
Assim foi que contratou a execução de um serviço no bairro do Guarani, distante cerca de 1 km do centro comercial da cidade, e convidou o BETINHO para ajudá-lo na empreitada. Este era um mulato jovem e atleta aspirante a ser um grande jogador de futebol, para o que treinava e jogava em um dos clubes esportivos locais. Sendo trabalhador, preenchia completamente o perfil de ajudante desejado.
Corria o mês de janeiro; era pleno e escaldante verão. Por volta do meio-dia, após o almoço, estando o sol a pino, JOÃO fez uma avaliação para planejamento de seu trabalho, e comentou:
- Acho que vai dar para terminar o emboço desta parede ainda hoje!
E, imediatamente, deu a seguinte ordem:
-BETINHO, vá depressa apanhar mais um saco de cimento no ZÉ GREGÓRIO.
O ajudante, cheio de saúde e vontade, partiu correndo rua abaixo, chegando rapidamente à loja. Não era de cogitar-se o transporte por automóvel ou carroça, pois, além de dificilmente disponíveis, iriam onerar o orçamento da obra.
BETINHO colocou aquela carga de 50 kg na cabeça e partiu rua acima tão célere quanto possível. Mas estava muito difícil: a cada passo encurvava-se mais; e transpirava abundantemente.
Chegando finalmente ao destino, já extenuado, perguntou:
- Seu JOÃO, onde é que eu ponho o cimento?
Do alto da escada onde se encontrava, JOÃO colocou em sua fonte o dedo indicador e, teatralmente, disse:
- Isso é um caso a pensar!
Ofegante, passados alguns segundos, insistiu BETINHO:
- Seu JOÃO, onde é que eu ponho?
E teve a seguinte resposta:
- Eu ainda estou pensando...
Desesperado, BETINHO arriou o saco de cimento ali mesmo e de qualquer maneira, intimamente convencido de que acabara de cometer um gesto atrevido, e já preparado para levar uma bronca.
Mas enganara-se.
Ao ver resolvido aquele inesperado impasse, JOÃO exclamou:
-Ah! Então você descobriu sozinho!?
- Lugar de pesado é no chão, meu caro!
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