Todos sabem que são muitos os riscos para a saúde, grande parte deles relacionados com os alimentos, com a poluição ambiental e, até, com o mal uso de medicamentos. Quanto aos primeiros, muitos conceitos têm sido modificados ao longo do tempo devido ao desenvolvimento científico, sobretudo na área médica; por isto, muitos dos que eram ontem considerados venenos ou remédios passaram a ser hoje remédios ou venenos, respectivamente. Além do mais, há coisas inventadas no seio do povo que atribuem poderes milagrosos a determinados produtos; é difícil saber se são mesmos eficazes, mas é certo que seus valores de mercado aumentam instantaneamente.
Tive a ventura de passar minha infância em uma maravilhosa chácara, hoje incorporada à área urbana da cidade de Cambuci, a “Chácara do Sossego”, onde era grande a fartura; nela havia uma bem cuidada horta e inúmeras fruteiras. Tínhamos laranja, banana, mamão, manga, abacaxi, goiaba, jaca, melão, melancia, abio roxo, amora, figo, pêssego, maracujá, pinha e jenipapo; também um pé de abricó de um pomar vizinho, próximo à divisa, contribuía com um galho generosamente pendente para o nosso lado. Eventuais intrusos ficavam por conta de nosso cão de guarda, o TOMIX.
Em nossa casa, não havia restrições formais ao consumo de frutas, mas era necessária muita cautela para que as mesmas não fossem involuntariamente misturadas entre si, e também com leite, sem a observância de um intervalo de 3 horas, no mínimo.
Vivia-se, então, a época do “faz mal” e da “indigestão”. Os que viveram na década de 30 do século passado, ou anterior, conheceram tais incompatibilidades, que atingiam principalmente aquelas frutas mais desejadas e consumidas; assim, fazia mal associar: banana com manga ou abacaxi; manga com jaca ou melancia; goiaba com melão ou abacaxi etc., ou qualquer delas com leite. O risco de uma grave indigestão seria muito grande. Consta que tal invencionice surgiu no tempo da escravidão, como estratégia dos senhores para inibir o consumo pelos escravos de produtos valiosos e de difícil controle.
Era muito difícil, senão impossível para as crianças mais novas, proceder conforme recomendado sem o auxílio de pessoas mais velhas; em conseqüência, elas “enchiam o saco” das mães a todo instante, perguntando se já podiam comer determinada fruta. Embora possa ser inacreditável para os mais jovens, estimo que tenha sido nos primeiros anos da década de 40 que entrou em uso por aqui a “salada de frutas” e a “vitamina de copo”, desmoralizando completamente aquela prática absurda.
Algumas outras regras muito difundidas nos últimos tempos, mas de fundamentação científica discutível, dizem respeito ao consumo diário de água, à exposição aos raios solares e ao controle de certas medidas do corpo humano.
A primeira delas estabelece que o consumo diário mínimo por pessoa deve ser de 2 litros, não entrando nesta conta a ingestão de qualquer outro líquido. A norma não leva em conta a massa corporal, o sexo, a estação do ano ou atividade desenvolvida pela pessoa; neste aspecto, não importa tratar-se de um trabalhador braçal exposto ao sol, um atleta ou qualquer que leve uma vida sedentária, fatos estes que deixam dúvidas sobre sua racionalidade, na forma em que tem sido enunciada.
Como tenho raízes lá pelos desertos arábicos, costumo dizer que sou um pouco “camelo” por consumir pouquíssima água, e sempre relutei em modificar meus hábitos por entender que a necessidade de água, para um corpo humano saudável, é traduzido pela sensação de sede; contudo, de tanto ouvir em casa tal recomendação, resolvi um dia municiar-me no escritório com uma grande garrafa térmica repleta de água, passando a bebê-la sofregamente, de maneira a atingir a cota exigida. Consegui, mas não foi nada fácil; não me senti bem ao final do dia, estava como se intoxicado pela água. Nunca mais!
Algum tempo depois, li em um jornal que o excesso de água pode ter graves conseqüências para a saúde. Não sei se isto é verdade, e sugiro aos caros leitores que evitem tomar qualquer decisão a respeito sem consultar seus médicos de confiança.
O tal índice de massa corporal expresso pela fórmula “peso/quadrado da altura” parece-me razoável, até porque encontro-me perfeitamente enquadrado na faixa dos pesos permitidos para minha altura.
Raios solares ricos em radiação ultravioletas são efetivamente perigosos, e fugir deles é uma medida acertada; afinal todos já ouvimos, desde muito cedo, que não se deve brincar com fogo.
É desnecessário falar sobre o controle das taxas de glicose, colesterol e triglicerídios no sangue, bem como da pressão arterial, por ser assunto já bem conhecido do público. Eu, todavia, ainda tenho esperança de que o crescente avanço científico não tardará a comprovar que o açúcar, o sal, a gordura animal e, até, um pouco de bebida alcoólica, não fazem mal algum à saúde.
É esperar para ver; mas, enquanto isto, não deixem de seguir os conselhos hoje dados pela medicina.
Tive a ventura de passar minha infância em uma maravilhosa chácara, hoje incorporada à área urbana da cidade de Cambuci, a “Chácara do Sossego”, onde era grande a fartura; nela havia uma bem cuidada horta e inúmeras fruteiras. Tínhamos laranja, banana, mamão, manga, abacaxi, goiaba, jaca, melão, melancia, abio roxo, amora, figo, pêssego, maracujá, pinha e jenipapo; também um pé de abricó de um pomar vizinho, próximo à divisa, contribuía com um galho generosamente pendente para o nosso lado. Eventuais intrusos ficavam por conta de nosso cão de guarda, o TOMIX.
Em nossa casa, não havia restrições formais ao consumo de frutas, mas era necessária muita cautela para que as mesmas não fossem involuntariamente misturadas entre si, e também com leite, sem a observância de um intervalo de 3 horas, no mínimo.
Vivia-se, então, a época do “faz mal” e da “indigestão”. Os que viveram na década de 30 do século passado, ou anterior, conheceram tais incompatibilidades, que atingiam principalmente aquelas frutas mais desejadas e consumidas; assim, fazia mal associar: banana com manga ou abacaxi; manga com jaca ou melancia; goiaba com melão ou abacaxi etc., ou qualquer delas com leite. O risco de uma grave indigestão seria muito grande. Consta que tal invencionice surgiu no tempo da escravidão, como estratégia dos senhores para inibir o consumo pelos escravos de produtos valiosos e de difícil controle.
Era muito difícil, senão impossível para as crianças mais novas, proceder conforme recomendado sem o auxílio de pessoas mais velhas; em conseqüência, elas “enchiam o saco” das mães a todo instante, perguntando se já podiam comer determinada fruta. Embora possa ser inacreditável para os mais jovens, estimo que tenha sido nos primeiros anos da década de 40 que entrou em uso por aqui a “salada de frutas” e a “vitamina de copo”, desmoralizando completamente aquela prática absurda.
Algumas outras regras muito difundidas nos últimos tempos, mas de fundamentação científica discutível, dizem respeito ao consumo diário de água, à exposição aos raios solares e ao controle de certas medidas do corpo humano.
A primeira delas estabelece que o consumo diário mínimo por pessoa deve ser de 2 litros, não entrando nesta conta a ingestão de qualquer outro líquido. A norma não leva em conta a massa corporal, o sexo, a estação do ano ou atividade desenvolvida pela pessoa; neste aspecto, não importa tratar-se de um trabalhador braçal exposto ao sol, um atleta ou qualquer que leve uma vida sedentária, fatos estes que deixam dúvidas sobre sua racionalidade, na forma em que tem sido enunciada.
Como tenho raízes lá pelos desertos arábicos, costumo dizer que sou um pouco “camelo” por consumir pouquíssima água, e sempre relutei em modificar meus hábitos por entender que a necessidade de água, para um corpo humano saudável, é traduzido pela sensação de sede; contudo, de tanto ouvir em casa tal recomendação, resolvi um dia municiar-me no escritório com uma grande garrafa térmica repleta de água, passando a bebê-la sofregamente, de maneira a atingir a cota exigida. Consegui, mas não foi nada fácil; não me senti bem ao final do dia, estava como se intoxicado pela água. Nunca mais!
Algum tempo depois, li em um jornal que o excesso de água pode ter graves conseqüências para a saúde. Não sei se isto é verdade, e sugiro aos caros leitores que evitem tomar qualquer decisão a respeito sem consultar seus médicos de confiança.
O tal índice de massa corporal expresso pela fórmula “peso/quadrado da altura” parece-me razoável, até porque encontro-me perfeitamente enquadrado na faixa dos pesos permitidos para minha altura.
Raios solares ricos em radiação ultravioletas são efetivamente perigosos, e fugir deles é uma medida acertada; afinal todos já ouvimos, desde muito cedo, que não se deve brincar com fogo.
É desnecessário falar sobre o controle das taxas de glicose, colesterol e triglicerídios no sangue, bem como da pressão arterial, por ser assunto já bem conhecido do público. Eu, todavia, ainda tenho esperança de que o crescente avanço científico não tardará a comprovar que o açúcar, o sal, a gordura animal e, até, um pouco de bebida alcoólica, não fazem mal algum à saúde.
É esperar para ver; mas, enquanto isto, não deixem de seguir os conselhos hoje dados pela medicina.
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