domingo, 10 de maio de 2009

O Maratonista

Já faz algum tempo, assisti a uma entrevista televisiva, concedida por um dos nossos melhores maratonistas, em que ele fez revelações muito interessantes sobre sua vida e seu treinamento para a mais tradicional e importante competição olímpica, cuja origem remonta à Grécia antiga.

Reside ele no interior, em propriedade rural de sua família, e não pode seguir os passos de seus competidores no que diz respeito ao treinamento; sem recursos materiais próprios e patrocínio suficientes, torna-se inviável sua frequência aos centros especializados existentes em grandes altitudes, no País ou no exterior, visando a melhorar-lhe a capacidade pulmonar e oxigenação do sangue. Ao contrário, a pista necessária foi criada lá mesmo, por terras de seu sítio e vizinhas, cobrindo o percurso aproximado de 42 km, compatível com a distância oficial das maratonas.

Treinava com regularidade e preferencialmente à tarde, de maneira que pudesse concluir a corrida antes de anoitecer; mas o fazia sempre acompanhado de seu cão de guarda, que era grande, forte e, acima de tudo, companheiro inseparável.

Mas nosso maratonista adquirira uma égua, que acabou introduzindo alterações em sua rotina diária; ele deveria agora, antes de iniciar seu exercício, recolher seu animal no pasto e amarrá-lo em uma das estacas da cerca em frente a sua casa.

Com o animal amarrado, partiu para seu treino diário uniformizado e espontaneamente seguido por seu cachorro; desta vez, a égua apenas observou curiosa toda aquela movimentação.

No dia seguinte, repetiu o procedimento antes de sair, sem se dar conta da insatisfação de seu animal observada por sua esposa: ele relinchava, sapateava e sacudia a cabeça freneticamente, tentando soltar-se. A mulher não teve dúvida de que a égua queria participar também daquela brincadeira, e foi justamente isto que disse a seu marido; este, compreensivo, disse-lhe que iria verificar e resolver o problema.

A mesma praxe cumpriu o atleta no 3º dia; todavia, antes de sua partida, resolveu soltar o animal. Sentindo-se liberada, a égua acompanhou-os por todo o percurso, fazendo o mesmo nos treinamentos subsequentes.

Por fim, quis saber o entrevistador como era o comportamento de seus dois companheiros durante o trajeto, principalmente se eles o concluíam. A resposta preliminar foi a de que ambos limitavam-se a segui-lo, razão pela qual não o atrapalhavam nunca, e que era tudo muito divertido. Referiu-se depois às duas hipóteses possíveis de treinamento, que poderia ser leve, para simples manutenção, ou puxado, se já específico para determinada competição: no primeiro caso, disse ele, ambos conseguiam chegar ao final; no segundo, o cachorro ficava pelo meio do caminho.

Fica aqui uma sugestão para quem pretenda fazer longas caminhadas ou corridas, e possa executá-las fora dos perímetros urbanos. Por que não levar consigo, à falta de outra pessoa, um cachorro, um bode ou um cavalo !? Só não vale usar este como montaria.

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