A Cachoeira do Romão é um importante acidente hidrográfico no curso do Rio Paraíba do Sul, localizado no trecho entre Cambuci e Pureza. Eu só a conhecia de nome.
Recentemente, ficou mais em evidência diante do propósito governamental de construir ali uma usina, que teria uma potência irrisória diante da magnitude da intervenção ambiental.
Uma pessoa bem próxima e amiga ficou muito admirada quando lhe revelei que nunca tinha ido a tal cachoeira; para ele, que foi na juventude um pescador profissional na região e perfeito conhecedor do rio, parecia inconcebível que eu, nascido e criado em Cambuci, jamais tivesse visto aquela maravilha da natureza, que não é percebida por quem passa por sua margem esquerda.
A partir daí, teve início um processo de cobrança no sentido de que eu, em uma de minhas viagens à terrinha, me dispusesse a corrigir tão grave omissão.
Chegou, enfim, o dia em que me encontrei com o amigo e, num impulso, disse-lhe que estava pronto para conhecer o Romão. Isto bastou para que ele entrasse rapidamente em contato com pescador do lugar, dono de uma potente lancha, para programar a pretendida visita. Foi tudo muito rápido: logo estávamos nós embarcados com a roupa do corpo, sem colete salva-vidas, capacete ou qualquer outro equipamento de segurança, e partimos rio abaixo.
Na minha cabeça, quando chegássemos próximo ao nosso destino, alguém iria dizer-me:
- Isto aí é o Romão! – pode olhar e fotografar, se quiser!
Mas não foi assim que aconteceu; o piloto partiu pra dentro do cachoeirão sem qualquer aviso prévio. Logo de cara, um tranco fez a lancha voar uns 15 metros e cair na frente com um impacto capaz de espatifá-la.
Em seguida, com grande habilidade, o piloto levava a lancha para a esquerda e para a direita, desviando-se de pedras ameaçadoras; em uma delas ele ancorou, mergulhava e vinha à tona com 3 camarões sapateiros – crustáceos típicos do lugar-, 1 na boca e 1 em cada mão, e os atirava para que nós os guardássemos.
Chegamos finalmente ao remanso; foi um grande alívio pra mim. Dali nos dirigimos à margem direita. Tomei então conhecimento de que retornaríamos pela mesma rota, o que era lógico, pois lancha não navega por terra.
Apesar de já possuir alguma experiência, a adrenalina subiu bastante durante o percurso inverso; alcançado o topo, voltamos ao ponto de partida. Daquela vez, todos se salvaram...
Tomei o caminho de casa sentindo-me um herói; e, antes mesmo de lá chegar, fui abordado por outro grande amigo, figura boníssima e conhecidíssima na cidade; como aposentado, pode percorrê-la de bicicleta o dia inteiro, e dar conta de tudo o que nela acontece. Foi logo dizendo:
- Tô sabendo, Doutor, que o senhor desceu o Romão com o DADAU!
Ao que lhe respondi com orgulho:
- Não só desci, como subi também!
- O DADAU é maluco, Doutor!
Aí, já era tarde.
Mas não é bem assim: o rapaz é simpático, atencioso, prestativo, habilidoso e sensato; só que, às vezes, é um pouco audacioso demais.
A aventura é imperdível. Vale a pena, eu recomendo.
Recentemente, ficou mais em evidência diante do propósito governamental de construir ali uma usina, que teria uma potência irrisória diante da magnitude da intervenção ambiental.
Uma pessoa bem próxima e amiga ficou muito admirada quando lhe revelei que nunca tinha ido a tal cachoeira; para ele, que foi na juventude um pescador profissional na região e perfeito conhecedor do rio, parecia inconcebível que eu, nascido e criado em Cambuci, jamais tivesse visto aquela maravilha da natureza, que não é percebida por quem passa por sua margem esquerda.
A partir daí, teve início um processo de cobrança no sentido de que eu, em uma de minhas viagens à terrinha, me dispusesse a corrigir tão grave omissão.
Chegou, enfim, o dia em que me encontrei com o amigo e, num impulso, disse-lhe que estava pronto para conhecer o Romão. Isto bastou para que ele entrasse rapidamente em contato com pescador do lugar, dono de uma potente lancha, para programar a pretendida visita. Foi tudo muito rápido: logo estávamos nós embarcados com a roupa do corpo, sem colete salva-vidas, capacete ou qualquer outro equipamento de segurança, e partimos rio abaixo.
Na minha cabeça, quando chegássemos próximo ao nosso destino, alguém iria dizer-me:
- Isto aí é o Romão! – pode olhar e fotografar, se quiser!
Mas não foi assim que aconteceu; o piloto partiu pra dentro do cachoeirão sem qualquer aviso prévio. Logo de cara, um tranco fez a lancha voar uns 15 metros e cair na frente com um impacto capaz de espatifá-la.
Em seguida, com grande habilidade, o piloto levava a lancha para a esquerda e para a direita, desviando-se de pedras ameaçadoras; em uma delas ele ancorou, mergulhava e vinha à tona com 3 camarões sapateiros – crustáceos típicos do lugar-, 1 na boca e 1 em cada mão, e os atirava para que nós os guardássemos.
Chegamos finalmente ao remanso; foi um grande alívio pra mim. Dali nos dirigimos à margem direita. Tomei então conhecimento de que retornaríamos pela mesma rota, o que era lógico, pois lancha não navega por terra.
Apesar de já possuir alguma experiência, a adrenalina subiu bastante durante o percurso inverso; alcançado o topo, voltamos ao ponto de partida. Daquela vez, todos se salvaram...
Tomei o caminho de casa sentindo-me um herói; e, antes mesmo de lá chegar, fui abordado por outro grande amigo, figura boníssima e conhecidíssima na cidade; como aposentado, pode percorrê-la de bicicleta o dia inteiro, e dar conta de tudo o que nela acontece. Foi logo dizendo:
- Tô sabendo, Doutor, que o senhor desceu o Romão com o DADAU!
Ao que lhe respondi com orgulho:
- Não só desci, como subi também!
- O DADAU é maluco, Doutor!
Aí, já era tarde.
Mas não é bem assim: o rapaz é simpático, atencioso, prestativo, habilidoso e sensato; só que, às vezes, é um pouco audacioso demais.
A aventura é imperdível. Vale a pena, eu recomendo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário