domingo, 14 de dezembro de 2008

Desconstruindo mitos

A mais recente campanha eleitoral dos Estados Unidos, que apresentou ao mundo o fenômeno BARACK OBAMA, terminando com a vitória deste nas prévias do Partido Democrata contra HILARY CLINTON, e, posteriormente, derrotando ele o candidato do Partido Republicano, JOHN McCAIN, provocou uma comoção generalizada fora das fronteiras daquele país pela expectativa gerada.

A impressão é que todos já estavam cansados do belicista BUSH, e a proposta pacifista inicial de OBAMA de abreviar a retirada de soldados do Iraque e do Afganistão fizeram crescer a simpatia por ele, até porque alimentava a esperança de que outras medidas afins poderiam também vir a ser adotadas, no sentido de transformar aquela grande potência econômica e militar em uma promotora e facilitadora da paz universal.

OBAMA, cidadão americano nascido no distante Estado do Havaí, de origem humilde e multiracial, mulçumano com nome pouco confiável por lá, defrontou-se com um político já experiente, do partido que está no poder e veterano de guerra, fator este muito valorizado pelos americanos. Para os de fora, teria sido como uma luta do gigante GOLIAS contra o pequenino DAVID, sendo natural que a maior torcida ficasse a favor do mais fraco.

Mas tal suposição era enganosa, a começar pelo extraordinário talento revelado por OBAMA, que o credenciou, entre seus pares, a candidatar-se à presidência apesar de sua pouca idade para o cargo. Fez uma carreira fulminante na política, para quem chegou a Los Angeles aos 18 anos, procedente de Honolulu, com o objetivo de fazer seus estudos superiores, os quais foram concluídos na Universidade de Harvard.

O senador OBAMA teve uma campanha milionária, dispondo de recursos muito superiores aos de seus adversários, tanto nas prévias como na disputa final. É claro que, lá como aqui, quem assim investe espera um bom retorno.

Já pelo meio da campanha, seu discurso pacifista havia sofrido alguns ajustes e, após eleito, arriscou uma ameaça ao Iraque, o qual foi classificado como um “mico” por seus assessores imediatos.

Para OBAMA, a Amazônia pertence ao mundo. E não é do conceito matemático que ele fala, mas da soberania territorial dos países por onde a grande floresta tropical se espalha. Este entendimento ele deve ter adquirido desde a escola primária, onde é abertamente ensinado por lá.

Por oportuno, dentro do contexto de dominação sob todas as formas, lembro-me das aulas de geologia que tive na antiga Escola Nacional de Engenharia, do Largo de São Francisco-Rio, ministradas na década de 50 por um catedrático da nobre estirpe LIMA E SILVA, em que se atestava a inexistência de petróleo no Brasil; no entanto, o grande geólogo campista ALBERTO LAMEGO já intuíra, na década de 20, que imensos depósitos existiam no mar, diante do litoral fluminense.

Os democratas de OBAMA, muito mais do que os republicanos, são reconhecidamente protecionistas na área comercial e dominam amplamente o Congresso, onde tais questões são decididas; por conseguinte, não há razões objetivas para acreditar-se que será facilitada a entrada de produtos brasileiros no mercado dos EUA como é reivindicado, nem mesmo do etanol, em detrimento dos produtores locais fortemente representados pela quase totalidade dos sindicatos patronais e de trabalhadores junto ao Partido Democrata.

Em que pese sua aparência física, que se nos afigura familiar, OBAMA é americano, vive e pensa como americano e, certamente, governará como americano; para isto, já se cercou de importantes assessores que serviram à administração de BILL CLINTON, evidenciando que não pretende “reinventar a roda”, sobretudo neste momento em que todos estão ou ainda serão afetados por grave crise econômico-financeira.

É enorme a expectativa internacional em torno dele. Pode-se mesmo dizer que há um otimismo generalizado em relação àquele que irá substituir o mais impopular presidente americano desde a 2ª Grande Guerra Mundial. No âmbito interno, haverá provavelmente uma mudança do comportamento social em relação a todas as minorias.

O que se deve minimamente esperar do governo de OBAMA no âmbito internacional é: menos arrogância, cumprindo rigorosamente as leis e convenções; colaboração na montagem de uma nova ordem nas finanças e segurança, sem privilégios para as grandes potências; participação no esforço global para preservação do meio ambiente; e que não ameace ou sufoque os demais países com seu poderio militar.

Hoje o Brasil já não depende tanto dos EUA como outrora, embora ainda sejam importantes parceiros comerciais; portanto, seria conveniente um bom relacionamento entre eles. Que a convivência pessoal do presidente LULA com OBAMA possa vir a ser tão amigável quanto a que ele manteve com BUSH.

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